quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Como oferecer uma educação de qualidade?

Por Marina da Silveira Rodrigues Almeida

Sabe-se que uma educação de qualidade é aquela que atende às necessidades de cada aluno, respeita o estilo de aprendizagem de cada aluno, propicia condições para o atingir os objetivos individuais e utiliza as oito inteligências de cada aluno. Como desenvolver e oferecer uma educação? Devemos conhecer e promover os recursos pessoais do nosso aluno. Como?

Antes de tudo, devemos abandonar certas posturas tradicionais, baseadas em valores, crenças e teorias que não mais correspondem às necessidades das pessoas que atendemos. Significativas mudanças estão ocorrendo no mundo nos últimos 10 anos. No campo da atenção às pessoas com deficiência, essas mudanças estão desafiando dirigentes e profissionais de entidades, bem como pessoas deficientes e suas famílias a reexaminarem seus valores éticos, suas crenças e seus referenciais teóricos a fim de que a vida de todas as pessoas envolvidas possa ser de melhor qualidade.

Três tendências se evidenciam atualmente afetando a vida das pessoas em geral.
• A sociedade está se tornando cada vez mais inclusiva, adaptando-se às necessidades especiais de seus cidadãos e descartando as atitudes discriminatórias frente às diferenças individuais (INCLUSÃO).
• As pessoas estão ficando mais empoderadas em todos os setores de atividade, não aceitando imposições da parte de outras pessoas (EMPODERAMENTO).
• Os governos, as empresas e as entidades estão procurando trabalhar em parceria (cooperação, alianças estratégicas) para solucionarem os problemas da escassez ou falta de recursos nas áreas de saúde, reabilitação biopsicossocial e/ou profissional, educação escolar, educação profissional, colocação em empregos competitivos, geração de empregos e trabalhos, geração de renda etc. (PARCERIAS e INTERFACES).

Existem diversos estilos de aprendizagem. É importante para alunos e professores conheceram seus respectivos estilos de aprendizagem. Ao preparar suas aulas, leve em consideração as seguintes características dos estilos de aprendizagem:

1) Estilo Auditivo
Alunos com este estilo serão capazes de se lembrar do que eles ouvem e preferem instruções orais. Eles aprendem ouvindo e falando. Estes alunos gostam de conversar e entrevistar. Eles são leitores fonéticos, que gostam de leitura oral, leitura em coro e de ouvir livros falados.

Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para:
• Entrevistar, debater
• Participar em um painel de discussão
• Apresentar relatórios oralmente
• Participar em debates sobre material escrito

2) Estilo Visual
Alunos com este estilo serão capazes de se lembrar do que vêem e preferem instruções escritas.
Estes alunos são leitores visuais, que gostam de ler em silêncio. Melhor ainda, gostam de receber informações por meios visuais como, por exemplo, fitas de vídeo, DVD.

Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para trabalharem com:
• Gráficos de computação
• Mapas, gráficos, tabelas
• Histórias em quadrinhos
• Cartazes
• Diagramas, desenhos
• Recursos para organizar gráficos
• Textos com muitas figuras

3) Estilo Tátil
Alunos com este estilo aprendem melhor tocando em coisas. Eles compreendem instruções que eles escrevam e aprenderão melhor através de manipulações.

Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para eles:
• Desenharem
• Jogarem jogos de tabuleiro
• Construírem dioramas
• Construírem modelos (com vários materiais)
• Seguirem instruções para fazer alguma coisa

4) Estilo Cinestésico
Alunos com este estilo também aprendem tocando e manipulando objetos. Eles têm a necessidade de envolver o corpo todo na aprendizagem. Eles se lembram melhor do conteúdo das aulas se eles o expressarem em ações.

Eles aprendem melhor quando o professor lhes oferece oportunidades para:
• Jogarem jogos que envolvam o corpo todo
• Fazerem atividades de movimento
• Construírem modelos
• Seguirem instruções para fazer alguma coisa
• Realizarem experimentos

Como passar as instruções?

MENU LINGÜÍSTICO

• Use histórias para demonstrar...
• Realize um debate sobre...
• Escreva um poema, um mito, uma lenda, uma peça curta ou um artigo de jornal sobre...
• Faça uma apresentação sobre...
• Narre um conto ou um romance para...
• Faça uma apresentação sobre...
• Conduza uma discussão em sala de aula sobre...
• Crie um programa de entrevistas de rádio sobre...
• Escreva uma comunicação, um folheto ou um dicionário sobre...
• Invente slogans para...
• Faça uma gravação em áudio de...
• Conduza uma entrevista de... sobre...
• Escreva uma carta para... sobre...
• Use a tecnologia para escrever...

MENU LÓGICO-MATEMÁTICO
• Crie problemas narrados para...
• Traduza... em uma fórmula matemática...
• Crie uma linha de tempo do...
• Planeje e conduza uma experiência sobre...
• Faça um jogo estratégico que...
• Crie silogismos para demonstrar...
• Crie analogias para explicar...
• Use... habilidades de pensamento para...
• Crie um código para...
• Categorize fatos sobre...
• Descreva padrões ou simetria em...
• Selecione e use tecnologia para...

MENU CINESTÉSICO
• Represente ou simule...
• Crie um movimento ou uma seqüência de movimentos para explicar...
• Coreografe uma dança de...
• Invente um jogo de tabuleiro ou de chão de...
• Faca cartões de tarefa ou de quebra-cabeça para...
• Crie ou construa um...
• Planeje e faça uma pesquisa de campo que...
. Use as qualidades de uma pessoa fisicamente treinada para demonstrar...
• Crie uma "caça ao tesouro" para...
• Faça um modelo de...
• Use materiais práticos para...
• Reúna e apresente canções sobre...
• Escreva um novo final para uma canção ou composição musical para que ela explique...
• Crie uma colagem musical para descrever...
• Use a tecnologia musical para...

MENU INTERPESSOAL
• Conduza uma reunião para tratar...
• Com um parceiro, use "a resolução de problemas em voz alta" para...
 • Represente as perspectivas múltiplas sobre...
• Organize ou participe de um grupo para...
• Use intencionalmente as habilidades sociais para aprender sobre...
• Participe de um projeto de serviço para...
• Ensine a alguém mais sobre...
• Com um pequeno grupo, planeje cooperativamente regras ou procedimentos para realizar...
• Ajude a resolver um problema local ou global...
• Pratique dar e receber ajuda sobre...
• Usando uma de suas capacidades, assuma um papel em um grupo para realizar...

MENU VISUAL- ESPACIAL
• Faça uma tabela, um mapa, agrupamento ou um gráfico para...
• Crie uma apresentação de slides, videoteipe ou álbum de fotos de...
• Projete um cartaz, quadro de avisos ou mural de...
• Use um sistema de memória para aprender...
• Crie trabalhos artísticos que...
• Desenvolva desenhos arquitetônicos que...
• Faça anúncios para...
• Varie o tamanho e a forma de...
• Use código de cores para...
• Invente um jogo de tabuleiro ou de cartas para demonstrar...
• Ilustre, desenhe, pinte, esboce, esculpa ou construa...
• Use o projetor para ensinar...
• Use tecnologia para...

MENU MUSICAL
• Faça uma apresentação com acompanhamento musical adequado sobre...
• Escreva letra de música para...
• Cante um rap ou canção que explique...
• Indique os padrões rítmicos em...
• Explique como a letra de uma canção se relaciona com...
• Explique como a música de uma canção e semelhante a...
• Apresente uma aula musical curta sobre...
• Faça um instrumento e use-o para demonstrar...
• Use a música para melhorar a aprendizagem de...

MENU INTRAPESSOAL
Descreva qualidades que você possui que irão ajudá-lo a realizar com sucesso...
• Crie uma analogia pessoal para...
• Estabeleça e persiga um objetivo para...
• Descreva como se sente sobre...
• Explique sua filosofia pessoal sobre...
• Descreva um de seus valores pessoais sobre...
• Use a aprendizagem autodirigida para...
• Escreva um tópico de diário sobre...
• Explique o propósito que você persegue em estudar...
• Conduza um projeto de sua escolha sobre...
• Receba ajuda de outra pessoa em seus esforços para...
• Avalie seu trabalho em...
• Use a tecnologia para...

MENU NATURALISTA
• Colete e categorize dados...
• Mantenha um registro de observações sobre...
• Compare fenômenos climáticos com ...
• Invente categorias para...
• Explique como uma espécie de planta ou animal se assemelha a...
• Faça uma taxonomia de...
• Use binóculos, microscópios, lentes, telescópios para...
• Identifique os relacionamentos entre...
• Cuide de plantas e animais para aprender sobre...
• Descreva os ciclos ou padrões de...
• Especifique as características de...
• Participe de um passeio ao ar livre no(a)...
• Use a tecnologia para...

Fonte: http://www.portal.educacao.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-educar/educacao-especial-sala-maria-tereza-mantoan/ARTIGOS/Estilos-de-aprendizagem-e-inteligencias-multiplas.pdf

Estilos de Aprendizagem


estilos de aprendizagem

Sempre discutimos muito os estilos de aprendizagem e ao longo dos anos já  tem havido inúmeras ideias e teorias ao respeito. Por exemplo, os antigos gregos pensavam que o Deus Hermes dava uma quantidade determinada de inteligência a cada pessoa e que a inteligência era essencialmente um aspecto da sua sorte. No entanto, as teorias modernas não são tão drásticas. A seguir, examinaremos as teorias ao redor de cada um dos estilos de aprendizagem e como identificar qual deles se adapta melhor a cada um e com isso podemos ajudá-los a estudar de uma maneira mais efetiva.
Uma das principais teorias dos estilos de aprendizagem é a teoria VARK (pelas suas siglas em inglês que se referem às palavras visual, auditive, reading e kinesthetic). A teoria VARK divide estudantes em quatro  categorias:
  1. Visual
  2. Auditiva
  3. Leitura/ Escrita
  4. Cinestésico

1) Visual:

Os estudantes com o estilo de aprendizagem visual não são bons com textos escritos mas podem assimilar bem imagens, gráficos, diagramas, vídeos e outros materiais de aprendizagem desse estilo. Os estudantes visuais também têm a tendência de desenhar o seu modo de pensamento como uma maneira de comunicar as suas ideias tanto a si mesmos como a dos outros.
Dicas: As aulas online ou vídeos são uma boa maneira de começar a estudar em casa. Use imagens para te ajudar a lembrar de certas ideias ou conceitos. Usar Mapas Mentais pode ser uma forma intuitiva para representar um fluxo de pensamento e o uso de Flashcards com imagens pode ser muito útil no estudo e memorização. 

2) Auditiva:

Este estudantes aprendem melhor quando ouvem seja uma vídeo aula ou quando escutam músicas para estudar. Esse tipo de aprendizagem também favorece  a fixação do conteúdo na sala de aula ou o aprendizado através de vídeo-aulas. Estes estudantes são geralmente mais lentos a ler do que os estudantes de outros estilos de aprendizagem; muitas vezes preferem ouvir em vez de tomar notas.
Dica: De todas os estilos talvez seja a que mais se ajusta ao modelo tradicional de estudo na sala de aula. E para render ainda mais em seus estudos fora de sala de aula esses alunos podem gravar as aulas para rever o conteúdo posteriormente ou complementar os estudos com vídeos disponíveis na internet. Uma dica também é incluir vídeos ou arquivos de voz as suas anotações.

3) Leitura/Escrita:

Estes estudantes aprendem melhor lendo ou escrevendo pois se sentem extremamente confortáveis com informações que são apresentadas num formato textual tais como listas, livros ou manuais. Eles costumam tomar notas palavra-por-palavra e aprendem melhor com professores que incluem muita informação nas frases que pronunciam. Quando apresentados com as informações visuais, eles  beneficiam transferindo a informação em texto, especialmente em listas.
DicaAlém de tomar notas na aula, a quantidade de recursos online disponíveis para aqueles que estão dispostos a ler/escrever é impressionante. Para deixar as suas anotações mais interessantes você pode incluir vídeos, links e imagens e deixá-las mais completas. 
Ler e reler as anotações notas dá uma vantagem significativa por que  ajuda com a recordação de conteúdo maís rápido.

4) Cinestésico:

Esse tipo de aprendizagem exige prática e movimento. Este tipo de estudante precisa de estimulo externo, caso contrário, pode perder interesse. O pensamento normalmente é amplo, fazem anotações de acordo com seu raciocínio e não normalmente o que o professor diz em sala de aula.
Dica: Sempre que seja possível, procure organizar as informações nem que seja a sua maneira, procure também exercitar o conhecimento, fazer exercícios faz com haja maior interesse pela matéria. Para estudar bem, deve-se criar um ambiente imersivo se for possível. 
Cada estudante pode combinar dois ou mais estilos mesmo que haja um predominante. O melhor é que sabendo as vantagens de cada um, o estudante pode, e deve explorar melhor cada uma delas.  Além disso, quando os estudantes têm uma compreensão mais clara de como querem receber a informação, o professor/leitor pode reagir em consequência. E quando tomamos em conta as preferências de aprendizagem para decidir o ambiente de aprendizagem, os estudantes se envolvem mais.
Fonte: https://www.goconqr.com/pt-BR/examtime/blog/estilos-de-aprendizagem/

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sete dicas para fechar o ano letivo

Antes de curtir o merecido descanso, aproveite o fim do ano para analisar as práticas pedagógicas, organizar os materiais e traçar metas para o futuro.

Por Bruno Mazzoco

O final do ano se aproxima e com ele vêm as tão aguardadas férias. Mas, para poder aproveitar ao máximo os momentos de descanso e lazer, recarregar as baterias e se preparar para o novo ciclo que virá, é importante encerrar o ano livre de pendências e com o sentimento de dever cumprido. Sugerimos a seguir sete dicas para você fechar o ano em paz em relação ao ambiente escolar, ao trabalho pedagógico e na dimensão pessoal.

Sete dicas para fechar o ano letivo
A primeira atitude a se tomar é organizar todos os materiais de trabalho. Verifique se você está em dia com as documentações a serem entregues para a direção da escola, como os diários de classe e outros relatórios que tenham sido solicitados.

Sete dicas para fechar o ano letivo
Desapegue da papelada: reserve ao menos um período para fazer a limpeza de armários e gavetas, analisando com cuidado o que dá para ser aproveitado e o que pode ser descartado. Ao mesmo tempo em que se livra de um monte de material sem maior utilidade, você pode fazer alguns "achados" úteis para o ano seguinte.

Sete dicas para fechar o ano letivo
Esse pode ser ainda um bom momento para organizar e atualizar os registros das atividades realizadas. Esses materiais dão uma visão geral sobre tudo o que foi trabalhado e abrem as portas para a nova etapa que vem a seguir.

Sete dicas para fechar o ano letivo
Em todas as esferas de nossa vida esse é um bom momento para fazermos a avaliação do ciclo que se encerra e traçarmos os objetivos para o novo ciclo que se inicia. As promessas de fim de ano que o digam! E na escola não é diferente. "O professor deve fazer uma autoavaliação, individual e em grupo, para já ter em mente o que deu certo e o que precisa ser melhorado no ano seguinte", diz Maura Barbosa, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac) e consultora da revista GESTÃO ESCOLAR. É importante analisar, por exemplo, quais foram os conteúdos mais bem trabalhados e as estratégias usadas, quais são os pontos que precisam ser melhorados, como foi o aproveitamento dos alunos e em que áreas você deve investir em atualização ou formação. Vale a pena fazer uma lista com todas essas informações para balizar o trabalho do ano seguinte.

Sete dicas para fechar o ano letivo
E se você já sabe para quais turmas irá lecionar no próximo ano letivo, uma boa dica é deixar algumas ideias anotadas sobre os conteúdos a serem trabalhados e como fazê-lo, com indicações para atualização de atividades e sequências didáticas. Assim, ao iniciar o planejamento no começo do ano, você já terá um bom ponto de partida.

Sete dicas para fechar o ano letivo
Tão importante quanto lidar com as questões objetivas é fazer uma análise pessoal das experiências vividas. Mas sem culpa ou cobranças, pois é tempo de curtir o que foi conquistado e revalidar metas e objetivos. "Esse é o momento de ressiginificar os acontecimentos do ano, mas sem tentar resolver o que ficou para trás. Avalie o que você queria e o que ainda quer conquistar, porque, às vezes, os planos mudam. O principal é se sentir bem com o que você viveu", destaca Denise Pará Diniz, coordenadora do Núcleo de Gerenciamento de Estresse e Qualidade de Vida da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Sete dicas para fechar o ano letivo
E aí o negócio é descansar do jeito que achar melhor, de preferência buscando algo que saia da rotina. Planeje fazer coisas que te deem prazer, como viajar, ficar com os amigos e a família ou apenas dormir. Nada de pensar em trabalho, pois é hora de se dedicar plenamente ao ócio. Afinal, você merece!



Fonte: http://acervo.novaescola.org.br/formacao/especial-ferias-pronto-ferias-762515.shtml

sábado, 26 de novembro de 2016

Livros Caminhos da linguagem vol I e II

Para quem não teve a oportunidade de ir ao lançamento na livraria Fnac, na Feira do Livro em Porto Alegre ou no Fórum da Fapa colocamos estes livros a disposição através do email ligia.coppetti@gmail.com ou do watsapp 02151.99216.7924.


Preço: vol I 35.00 reais
             vol II 40.00 reais
Mais despesas de correio

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

XIV FÓRUM FAPA 2016

XIV FÓRUM FAPA – "Conhecimento: caminho para ir além" acontecerá nos dias 21, 28/11 e 05/12.

O evento é composto por:

XVI MIC – Mostra de Iniciação Científica
XV MEP – Mostra de Experiências Pedagógicas
XII MPPG – Mostra de Pesquisas em Pós-Graduação
X MEPPES – Mostra de Experiências Pedagógicas e Pesquisas em Ensino Superior
IX MEJOP – Mostra de Experiências de Jovens Pesquisadores


O evento é uma oportunidade para apresentação de trabalhos de pesquisa e aberto para alunos e de professores.

Veja o cronograma AQUI. 

Os alunos poderão ainda validar a participação como horas complementares e ainda tem a possibilidade de enriquecer o currículo acadêmico.

Haverá lançamento com venda de livros unicamente no dia 26/11 das 10 horas ao meio dia. 

Estaremos presentes com os volumes I e II do livro "Caminhos da Linguagem: uma visão transdisciplinar".






Endereço: Av. Manoel Elías, 2001 - Passo das Pedras, Porto Alegre - RS
Telefone:(51) 3382-8282

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Vendo livro novo de xamanismo







Vendo por R $10.00 cada exemplar mais despesas de correio. Envio para td país .
Autor Djalma Sayao Lobato

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Os desafios de uma praxis educativa reflexiva

Clara Maria C. Brum de Oliveira


praxis educativa e sua construção

Até o momento, você estudou que a pesquisa é uma atividade importante para o saber docente. Observou, também, que ela assume uma função educativa para aquele que pretende ensinar e que deve, antes de tudo, aprender a prender. Vamos, agora, problematizar um pouco mais o tema docência, focalizando o sentido de uma praxis educativa, bem como investigar a contribuição da filosofia nesse caminho.
 
O que significa praxis?

O termo praxis é um termo grego que significa ação (ABBAGNANO, 1982, p. 755). Essa palavra assume o sentido de ação ou atividade, mas configura em Karl Marx um significado muito especial. Para este pensador, refere-se à atividade livre, universal, criativa e autocriativa, através da qual o ser humano cria (faz e produz), transforma (conforma) seu mundo, bem como a si mesmo. Portanto, trata-se de uma atividade inerente ao ser humano e que o torna diferente de todos os demais seres (BOTTOMORE, 1992, p. 292).

Como podemos pensar a ideia de uma praxis educativa?

A ideia de uma praxis educativa está intimamente ligada à concepção de uma educação crítica, no sentido de um modo de proceder que está orientado para ação, para o desocultamento das contradições e desvelamento das aporias nas relações sociais (BAPTISTA, 2008, p. 71).

Busca-se, então, uma prática que visa à alteridade, no sentido de inseri-la no próprio sentido de gênero humano, na “construção do homem” (BAPTISTA, 2008, p. 71). Nesse aspecto, podemos olhar para a célebre frase de Marx segundo a qual os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras, todavia, é preciso transformá-lo, para ressignificar a atividade docente como elemento essencial de uma praxiseducativa.

Uma praxis educativa necessita de uma postura crítica diante da realidade e, ademais, requer o cuidado na seleção de conteúdos, sensibilidade para escolha de estratégias pedagógicas e abertura de espírito para novos saberes. Numa palavra: empenhamento que significa predisposição para enfrentar a atividade docente com curiosidade e entusiasmo.


Como a filosofia pode contribuir para a reflexão crítica?

 “O filosofar é um ato pedagógico”
(Jayme Paviani)


Segundo Dalbosco, Casagranda e Mühl (2008, p. 1) a vinculação entre filosofia e educação ficou obliterada em muitos momentos de nossa história pedagógica, por razões teóricas e políticas, considerando-se “o receio contra o poder crítico que o pensamento filosófico poderia exercer quando direcionado à reflexão do processo formativo-educacional de novas gerações”, como, também,  a tendência à positivação do espírito que envolveu modelos de racionalidade oriundos da ciência moderna.

Em culturas mais desenvolvidas, sob o ponto de vista do conhecimento, a filosofia assume papel importante nos processos educacionais e contribui de maneira efetiva na formação da imagem do homem e do mundo (PAVIANI, 2008, p. 5), porque a educação é resultado de uma construção filosófica!

Nesse horizonte, podemos resgatar o sentido de uma leitura filosófica da educação e seus atores, observando que o olhar filosófico sobre o mundo não é, e jamais será, privilégio dos filósofos de formação, mas, antes, um olhar que se funda numa investigação criteriosa sobre os fundamentos das nossas maneiras de ser e agir, pois a Filosofia

é um modo de pensar que acompanha o ser humano na tarefa de compreender o mundo e agir sobre ele. Mais que postura teórica, é uma atitude diante da vida, tanto nas condições corriqueiras como nas situações-limites que exigem decisões cruciais (ARANHA; MARTINS, 2003, p. 81).

A sua utilidade, portanto repousa sobre a possibilidade de nos tornarmos humanos, ou seja, nos apropriarmos dos conhecimentos, dos valores, enfim da cultura produzida na temporalidade histórica (BAPTISTA, 2008, p. 12). Sua importância está


no fato de que, por meio da reflexão, a filosofia nos permite ter mais de uma dimensão, além da que é dada pelo agir imediato no qual o ‘indivíduo prático’ se encontra mergulhado. É a filosofia que dá o distanciamento para a avaliação dos fundamentos dos atos humanos e dos fins que eles se destinam. (...) Portanto, a filosofia é a possibilidade de transcendência humana, ou seja, a capacidade de superar a situação dada e não-escolhida. (...) A filosofia impede a estagnação (ARANHA; MARTINS, 2003, p. 91 – grifos das autoras).

Não se poderá, portanto desvincular a praxis educativa de um apoio na reflexão filosófica que oportuniza as condições de possibilidade de um olhar crítico sobre a experiência docente, sobre as intencionalidades que se desvelam nas escolhas de conteúdo, bem como na metodologia escolhida para as diferentes áreas do saber humano.

A Filosofia pode ser útil à educação quando assume a tarefa crítica e reflexiva em relação às teorias e ações educacionais, porque não basta ensinar apenas o que se sabe. O professor reflexivo, em verdade, articula saberes, relaciona oposições, ultrapassa suas competências cognitivas para buscar novos saberes e, assim, integrar o outro em sua praxis. Sobre este aspecto Jayme Paviani (2008, p. 13) observa que

O refletir possui, sem dúvida, uma dimensão especificamente filosófica. E, nesse sentido, a filosofia possui as condições de distanciamento epistemológico de criticar a si mesma e de questionar os próprios pressupostos. Em consequência, o filosofar emerge no ato de educar quando em educação, se procuram confrontar, a partir de olhares diferentes, os núcleos identificadores de cada projeto pedagógico.

Assim contribui para uma praxis educativa quando nos conduz às indagações que envolvem valores,  crenças e modelos que estão na base de nossa experiência, possibilitando resgatar o que foi esquecido ou negado por teorias e autores que fundamentam tal vivência. Abre, sem dúvida, um espaço a partir do qual experiências e problemas vivenciados ou compartilhados colaboram para reconstrução que une prática e conhecimento.

A metodologia filosófica



Na atividade docente, a Filosofia poderá oferecer ferramentas para o desenvolvimento do pensamento crítico, dentre as quais, destaca-se a possibilidade de ler textos não filosóficos de maneira filosófica.

Neste ponto, alguns autores denominam esse saber-fazer de método de análise estrutural que não está relacionado ao pensamento estruturalista, mas focaliza a estrutura interna de um texto, filosófico ou não. Desvela a importância da coerência de argumentos, conceitos e proposições. O que não significa dizer que não se possam utilizar outros recursos para uma análise eficiente – um texto poderá ser abordado de diversas maneiras (MACEDO JR., 2008).

Nesse sentido, o primeiro passo está em perceber e compreender a coerência e a lógica interna dos argumentos do autor do texto.  E, como leitor-discípulo, afasta-se momentaneamente a análise crítica. Antes de tudo,  preocupa-se com a compreensão do que está sendo dito e como está sendo dito. Isto significa dizer que o olhar filosófico se preocupa com a lógica interna que desvela o pensamento do autor. Porque cada teoria/autor apresenta uma ordem das razões e, se não compreendermos essa lógica interna, a reflexão crítica não será possível, ou será ingênua (MACEDO JR., 2008). Então, vencida essa primeira etapa, chega-se à compreensão do método de pensar e de organizar um discurso apresentado pelo autor do texto que está sendo lido. Assim,

O leitor estrutural deve buscar compreender o texto a partir do sistema a que pertence, segundo a ordem interna das razões, ad mentem auctoris, isto é, segundo a mente do autor, recuperando, assim, o seu tempo lógico interno (MACEDO JR., 2008, p. 14)

Diferente de outras metodologias, o método de análise estrutural se preocupa com “a concatenação argumentativa das teses de um autor, a sua estrutura e coerência interna” (MACEDO JR., 2008, p. 14). Compreender seu tempo lógico significa refazer seus passos, repensar os movimentos que a estrutura do texto desvela. É nesse caminho em direção à  intencionalidade do autor de um texto ou teoria, que o método de análise estrutural se afigura como uma leitura reflexiva.


Como ler à moda da Filosofia?

Segundo Ronaldo Porto Macedo Jr (2008, p. 23-25) algumas dicas são importantes para o método de análise estrutural:

1.     Verifique em quantas partes o texto que está sendo lido poderá ser dividido. “Alguns já vêm divididos pelo próprio autor, outros não”;
2.     A escolha do número de partes deve estar relacionada à lógica interna do texto;
3.     Numere os argumentos à margem do texto para que você visualize a sua estrutura;
4.     Defina com clareza numa proposição qual o argumento desenvolvido em cada parte;
5.     Leia com atenção especial a parte que contém a ideia central e estruturante do argumento principal;
6.     Domínio dos conceitos: familiarize-se com o repertório conceitual do autor;
7.     Ao final da leitura, responda a si mesmo as seguintes perguntas: Do que trata o texto? Qual o tema principal? Como o autor o desenvolve? Contra quem o texto está sendo escrito? Devo concordar com as ideias do autor?

Referência:
MACEDO JR. (Coord.). Curso de filosofia política: do nascimento da filosofia a Kant. São Paulo: Atlas, 2008.


Os sujeitos do processo educativo


O outro, enquanto outro, é algo que não posso reduzir à minha medida. Mas é algo do qual posso ter uma experiência que me transforma em direção a mim mesmo (LARROSA, 1996, p. 138 apud FALABELO, 2008, p. 66).


A docência é uma atividade profissional que transcende a dimensão de um simples meio de vida, porque está comprometida com a formação de pessoas, num processo em que ocorre um entrecruzamento de vivências e olhares.

Nesse processo educativo há  o compromisso com a humanização que somente acontece a partir de uma dinâmica que se afigura no contato com o outro, mediado pela linguagem que é um instrumento simbólico que permite a comunicação para compartilhar as representações.

No mundo contemporâneo, os sujeitos do processo educativo: professor e aluno assumem papéis diferenciados, porque a busca pelo conhecimento ultrapassa o discurso docente e o material didático sugerido. A própria sala de aula, como espaço físico, deixou de ser o lugar exclusivo para o encontro em que há trocas de experiências, reconstrução de saberes e deslocamento de conceitos a partir de novas racionalidades (SOUZA, 2009).

Antes de prosseguir assista ao vídeo que trata dos sete saberes para a educação do futuro do filósofo francês, Edgar Morin, comentado pelo Professor Dr. Edgard Carvalho da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo:


Se você refletir sobre os sete saberes* para educação do futuro propostos por Edgar Morin, constatará que escolher as fontes do conteúdo a ser ministrado e sua organização exige, sem dúvida, o domínio da área de conhecimento, bem como a percepção de um novo espaço para relação ensino-aprendizagem.

[* Os sete saberes são: “as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão;os princípios do conhecimento pertinente; ensinar a condição humana; ensinar a identidade terrena; enfrentar as incertezas; ensinar a compreensão; a ética do gênero humano.” MORIN, Edgar Os sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. 3. ed. São Paulo:Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2001. Para saber um pouco mais sobre a obra e o autor acesse o link: http://www.conteudoescola.com.br/site/content/view/89/27/]



Na educação contemporânea, os alunos devem ser vistos, também, como uma fonte de conhecimento (MOORE; KEARSLEY, 2008), porque as transformações tecnológicas que marcam a atualidade provocaram e provocam mudanças de conceitos e métodos de trabalhos (PINHEIRO, 2010).

Patrícia Peck Pinheiro (2010, p. 58), observa que os novos tempos nos conduzem ao que se denomina de “sociedade convergente”, entendendo sobre esse termo o sentido de uma sociedade em constante transformação desde a criação do telefone, instrumento que revolucionou as relações sociais até o surgimento das redes sociais.

Numa sociedade convergente há o encurtamento das distâncias, há a multicomunicação em novos veículos que alteram de maneira significativa as relações sociais. A convergência se configura na possibilidade de interligar diferentes sujeitos simultaneamente. É nesse sentido que uma reflexão crítica sobre a docência deve considerar os novos sujeitos que se afiguram a partir das transformações sociais e dos reflexos no campo do saber. Sujeitos que experimentam o conhecimento a partir de uma relação dialética. Por conseguinte, os conceitos de ensinar e aprender, professor e aluno devem ser revistos à luz de novos paradigmas em educação.


Para finalizar, assista ao vídeo que trata da do papel da cultura na formação do sujeito transformador:http://www.youtube.com/watch?v=EhFqc3W7YcM&feature=related

Fonte: http://clarabrum.blogspot.com.br/2013/05/os-desafios-de-uma-praxis-educativa.html