sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Comunicação em sala de aula: o que fazer; o que não fazer

Passar quase 60 minutos escutando uma pessoa falar sem ao menos parar para tomar fôlego não é tarefa das mais fáceis. Imagine só se esse discurso estiver repleto de vícios de linguagens e pausas? Não há bocejos, sonecas e inquietações da platéia que resistam. Você, professor, já ocupou o papel de aluno e sabe muito bem o que isso significa. Agora, do outro lado do jogo, é preciso traçar estratégias para não cometer os mesmos erros de alguns de seus ex-mestres e companheiros de profissão.
O domínio do conteúdo, ao contrário do que muitos imaginam, não é suficiente para garantir o bom desempenho de um docente em sala de aula. Técnicas de comunicação e socialização são essenciais para a construção de uma melhor relação aluno-professor. Não há ensino sem conteúdo e nem sem comunicação. Um elemento é tão importante quanto o outro e sozinhos se tornam superficiais, garante a professora do departamento de educação da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), Suely Galli Soares.
É necessário ponderar que, nem sempre, é isso o que acontece na prática. O excessivo e compulsivo comprometimento com o conteúdo programático, muitas vezes, faz com que as outras etapas do ensino-aprendizagem passem desapercebidas. E a comunicação, na visão de especialistas, é uma das primeiras ferramentas a serem deixadas de lado. Isso porque nem todos os profissionais conhecem o poder da comunicação, que é, inclusive, uma das principais responsáveis pelo fracasso ou pelo sucesso de uma aula, explica o professor dos cursos de graduação e pós-graduação em Psicologia da UFRGS (Universidade Federal de Rio Grande do Sul), William Barbosa Gomes.
É justamente esse o segredo do sucesso das aulas de docentes como o professor de sociologia da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), Luiz Guilherme Brom, que coleciona mais de 20 anos de experiência na área acadêmica. Sempre obtive excelentes resultados nas avaliações discentes dos cursos de graduação e pós-graduação. Isso é reflexo do meu comportamento dentro de sala de aula, conta. E a comunicação, segundo ele, é a espinha dorsal de suas aulas. É por meio dessa ferramenta e de suas diversas formas que consigo vencer um dos principais desafios da profissão: o de transformar o processo ensino-aprendizado em algo atraente, sem sequer usar medidas de imposição, revela.
Aliada ou inimiga?
Do mesmo modo que a comunicação pode se transformar em mais uma ferramenta de trabalho para o professor, assim com o giz, o quadro negro e o data-show, também pode ser uma grande barreira entre docente e aluno, comprometendo, inclusive, a qualidade do ensino. E aí, já sabe qual caminho escolher? Se você pretende seguir em direção a uma comunicação eficiente, não basta, apenas, saber falar, escutar, ler e escrever. Há muitos outros aspectos que devem ser levados em conta. E quando se trata de uma exposição ao público os cuidados e as exigências devem ser ainda maiores. Qualquer descuido pode ser suficiente para causar ruído na comunicação, o que significa que a ponte entre o ensino e o aprendizado pode estar comprometida, alerta Suely.
A eficiência do diálogo ou da exposição do professor é o primeiro ponto que deve ser observado. Não é recomendável falar muito rápido ou mesmo devagar. É preciso encontrar um meio termo para que a aula não se torne cansativa e para que o aluno acompanhe o raciocínio de seu mestre, aconselha a pedagoga. Modular a voz e o ritmo do bate-papo também pode ser boa estratégia, principalmente quando o objetivo do professor é quebrar a monotonia da aula e despertar a atenção do estudante.
Além disso, a linguagem deve ser clara, sem soar informal. Não se pode esquecer que a universidade é um ambiente profissional e de produção do conhecimento. Por isso, a comunicação deve ser rigorosa e ao mesmo tempo agradável, confiável e eficaz, informa. Mas a oralidade também tem lá suas armadilhas, entre elas os vícios de linguagem, as repetições de palavras e as frases cheias de lacunas. São detalhes que podem desviar a atenção do aluno e comprometer o objetivo da aula, afirma Gomes. Desta forma, o professor precisa se policiar para não deixar suas manias e seus vícios interferirem no processo ensino-aprendizagem.
Vale lembrar, no entanto, que a comunicação não se restringe à linguagem oral. É possível também se comunicar com os gestos, os olhos, a postura e até mesmo com as atitudes. O professor é o objeto central de uma aula e até o esparadrapo no aro dos seus óculos pode desviar a atenção do estudante, brinca Suely. Diante disso, é recomendável que o docente evite qualquer exagero que escape do objetivo da aula. Também não se pode esquecer que a postura do professor deve ser condizente com o objetivo que a aula se propõe. Há conteúdos que pedem maior descontração; outros já pedem uma seriedade maior. E é aí que deve entrar em cena o discernimento do docente, alerta.
O ideal é que a comunicação do professor esteja ligada, simultaneamente, a todos os sentidos: visual, auditivo e cinestésico (que envolve percepções pelas partes sensoriais). Isso porque cada aluno tem características próprias para assimilar o conteúdo. O professor deve conhecer seus alunos e saber como atender necessidades individuais e do grupo, garante Gomes. Quanto mais canais forem utilizados na comunicação, maior o número de pessoas atingidas.
Além disso, é preciso abrir espaço para que a comunicação seja interativa. Não basta apenas o professor falar. O aluno também faz parte do processo de ensino-aprendizagem e necessita espaço para apontar suas dúvidas e impressões. Uma boa aula é produzida em conjunto. O docente é um orientador e um agente provocador para o conhecimento, pontua o sociólogo Brom. E mais: esse mecanismo pode ser o termômetro da eficiência da comunicação do professor. A comunicação tem que ser constantemente verificada para evitar ruídos. E o feedback da aula é importantíssimo, até para verificar a qualidade da comunicação. Se o aluno não entendeu é porque a comunicação não foi eficiente, conta.
Seja você mesmo
Alguns cuidados e dicas podem contribuir muito para a performance do professor dentro da sala de aula. No entanto, não é preciso que o docente represente uma personagem. Não se pode caminhar em direção da figura do professor performático. Isso pode transformar o ambiente acadêmico em algo superficial, relata Gomes. O docente deve estabelecer estratégias de comunicação de acordo com sua personalidade e suas habilidades. E, assim, construir sua identidade e sua marca profissional.
Gravar as aulas para avaliação posterior é uma boa maneira de identificar erros e descobrir potencialidades. É importante que o professor observe seus comportamentos diante das diferentes situações e esteja atento aos seus sentimentos dentro de sala de aula, descreve Suely. Além disso, nada melhor do que perguntar sobre o seu desempenho para o próprio receptor da mensagem. Converse com os alunos ou peça para que eles respondam a um questionário, sem identificar os nomes, sobre a sua didática em sala de aula, orienta. Mais eficiente do que o auto-conhecimento e a avaliação externa é a experiência. Mas a dedicação e o grau de comprometimento do professor com o sistema são determinantes no seu desempenho final.

O que não fazer
- Não ministre aulas sentado, isso pode causar ruídos na comunicação.
- Não fale muito devagar. Você corre o risco de entediar o ouvinte.
- Não fale muito rápido para que o aluno consiga acompanhar o seu raciocínio.
- Evite frases cheias de lacunas, tiques gestuais e repetição de palavras para não desviar a atenção do estudante.
- Atente-se aos vícios de linguagens: eles podem levar o aluno ao desinteresse
- Não seja informal. Lembre-se que você está em um ambiente acadêmico.

O que fazer
- Dê aula em pé, de forma que os alunos possam te enxergar.
- Não fale nem muito devagar nem muito rápido. Dê ritmo à comunicação.
- Utilize todos os canais da comunicação: visual, auditivo e cinestésico
- Estabeleça uma comunicação rigorosa, agradável, confiável e eficaz.
- Crie estratégias de comunicação condizentes com o conteúdo.
Fonte: http://www.stellabortoni.com.br/index.php/artigos/1175-iomuoiiaiao-im-sala-ii-aula-o-qui-fazia-o-qui-oao-fazia

O desafio de atualizar-se na área da educação

Manter-se constantemente atualizado e em desenvolvimento é um desafio para todos os profissionais. Com professores não é diferente. Estar sempre a par das novidades na área da educação e das novas formas de transmitir conhecimento não é tarefa fácil, especialmente para essa classe, sabidamente portadora de um ritmo de trabalho frenético e uma agenda atribulada. O especialista norte-americano Steven Anderson, que trabalha com desenvolvimento profissional de professores, exclusivamente com relação ao uso de novas tecnologias em sala de aula, escreveu em seu blog sobre o tema. De acordo com ele, a falta de tempo é o principal obstáculo entre professores e cursos de desenvolvimento profissional, mas há alguns problemas relacionados aos próprios moldes dos programas de atualização, que se tornam pouco atraentes. Em seu texto, ele destaca três pontos que o profissional que promove a capacitação deve ter em mente:
Simplifique: Quando o assunto é adotar uma nova tecnologia em sala de aula, é preciso de tempo e dedicação. Não apenas professores, mas qualquer pessoa que não tenha o hábito de utilizar ferramentas ou programas de computador precisa dedicar-se certo período até compreender sua dinâmica. Muitos instrutores costumam explicar tim-tim por tim-tim os detalhes da tecnologia em questão. Sem dúvida, é interessante. Mas, além de sobrecarregar os participantes de informação, essa abordagem pode causar a impressão de a ferramenta ser pouco prática no dia a dia.
Reflita: Essa dica é importante tanto para o instrutor quanto para os professores. O primeiro pode repensar seus métodos de treinamento (sempre há espaço para melhora) e adaptar seus ensinamentos à realidade dos professores. Esses, por sua vez, ao refletir sobre as novas informações que estão absorvendo, percebem de que forma podem usá-las efetivamente em sala de aula.
Aja: Não apenas durante o treinamento, mas depois dele, os professores querem colocar a mão na massa e utilizar o que foi aprendido. Para isso, é necessário o suporte do profissional que os treinou, que não deve mandar o professor de volta para a sala de aula com novas habilidades e não oferecer algum tipo de acompanhamento. Assim como os próprios professores não apenas jogam informações sobre os alunos sem oferecer assistência.
No entanto, por mais atraente que seja a atualização profissional, a questão do tempo (ou da falta dele) ainda permeia as decisões de professores em participar ou não de tais cursos. O próprio Steve Anderson concluiu, em sua experiência, que a melhor maneira é realizar o curso por demanda, utilizando mídias sociais e minimizando os problemas decorrentes da falta de horário disponível. O uso da internet na educação funciona assim, como uma espécie de expansão de tempo e espaço, fazendo com que todos possam participar, apesar dos obstáculos físicos e temporais. Dessa forma, fica mais fácil para os atarefados professores manterem-se sempre atualizados.
Fonte: http://www.desafiosdaeducacao.com.br/desafio-de-atualizar-se-na-area-da-educacao/

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Autoria e trabalho em equipe



       Fazer do aluno um autor é a atitude a ser praticada em
sala de aula, e também fora dela por parte dos educadores, pois
quando praticamos fica mais simples orientar e mediar o trabalho
dos alunos. 
       As atividades mecânicas de cópia e respostas prontas nos
livros e textos devem ser substituídas por desafios que instiguem
as turmas à pesquisa e consequente produção

O aluno, num processo de aprendizagem, assume papel de
aprendiz ativo e participante (não mais passivo e repetidor),
de sujeito de ações que o levam a aprender e a mudar seu 
comportamento. Essas ações, ele as realiza sozinho (auto
-aprendizagem), com o professor e com os seus colegas 
interaprendizagem).  Busca-se uma mudança de mentalidade
e de atitude por parte do aluno: que ele trabalhe individual
mente para aprender, para colaborar com a aprendizagem dos 
demais colegas, com o grupo, e que ele veja o grupo, os 
colegas e o professor como parceiros idôneos, dispostos a 
colaborar com sua aprendizagem. (MASSETO, 2000, p.141)

Sendo assim a mudança deve partir do educador, passando a ser um 
mediador pedagógico do conhecimento, enxergando no aluno mais 
possibilidades do que apenas ouvir e copiar, pois isso limita seu 
desenvolvimento e senso crítico. A cópia nada mais é do que um ato
mecânico que não leva a uma análise crítica do conteúdo. Há que se 
ter mudança de atitudes em ambas as partes. Levar o aluno a uma
construção contextualizada do conhecimento. Segundo Hoffman (2005)
“Por meio da ação mediadora, da tomada de decisão, ele estará 
afetando vidas e influenciando aprendizagens individuais”, cabe ao 
educador o papel de provocador, plantar a semente da dúvida e guiar
os alunos pela pesquisa em busca do conhecimento.

A aprendizagem colaborativa como estratégia de 
ensino encoraja a participação do aluno no 
processo de aprendizagem. Torna a aprendizagem
um processo activo e o conhecimento resulta 
das interacções e consensos gerados no seio do 
grupo. (MOURA, 2009, p.23)

Fonte: https://sites.google.com/site/ousopedagogicodocelular/fundamentacao-teorica/autoria-e-trabalho-em-equipe

Como ensinar por meio da pesquisa

Importante ferramenta didática para todas as disciplinas, a pesquisa precisa ser mais bem usada em aula. Ao planejá-la e executá-la adequadamente, você possibilita que as crianças e jovens aprendam os conteúdos do currículo, enquanto se tornam estudantes autônomos

Anderson Moço 
Ilustração: Leandro Castelao
Ensinar os alunos a estudar para que se saiam bem em toda a Educação Básica, no Ensino Superior e por toda a vida é, sem dúvida, uma das grandes responsabilidades da escola. Poucas atividades atendem tão bem a essa demanda como a pesquisa - que tem como procedimentos básicos ler para estudar e ler para escrever. Realizada com acompanhamento e numa escala progressiva de dificuldade, ela desenvolve as habilidades de localizar, selecionar e usar informações, essenciais para aprender com independência. "A criança transforma conhecimentos já disponíveis na sociedade em algo novo para ela", explica Pedro Demo, docente da Universidade de Brasília (UnB).

Ninguém chega à escola sabendo pesquisar e também não aprende a fazer isso num passe de mágica assim que é alfabetizado - apesar de muitos professores simplesmente passarem a tarefa sem antes ensinar a realizá-la. Essa é uma competência que se desenvolve com a prática e com direcionamento. "A investigação na escola está intimamente ligada à orientação. Se até mesmo um doutorando tem um orientador, por que as crianças da Educação Básica dariam conta do trabalho sozinhas?", questiona Bernadete Campello, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autora de obras sobre o assunto.

Antes de convidar a meninada a explorar livros na biblioteca, a ler artigos na internet, a entrevistar um especialista ou a analisar vídeos e fotos, é preciso determinar os objetivos de aprendizagem com relação aos procedimentos de pesquisa e aos conteúdos abordados. Na hora de iniciar o trabalho, todos têm de estar cientes de seus propósitos: encontrar respostas para um problema. Aqui vale um destaque: buscar uma informação específica e que é facilmente encontrável - como a data ou os protagonistas de um fato histórico - não é investigar. "A pesquisa envolve, sim, a habilidade de localizar informações, mas não só isso. A chave, principalmente para os mais experientes, está na interpretação delas e na apresentação de um ponto de vista próprio para uma audiência interessada, como os colegas da sala e da escola ou a comunidade", ressalta Demo.

A atividade só será produtiva também se a sala estiver completamente envolvida pelo tema. "Na vida real, só procuramos respostas para aquilo que nos aflige ou que gera grande curiosidade. O mesmo ocorre na escola: é necessário querer conhecer mais sobre o assunto para se envolver", ressalta Bernadete. Para que os alunos deem conta desse desafio, cabe a você apresentar fontes confiáveis e ensiná-los a tomar notas, a fazer resumos, a entrevistar pessoas e a construir sentidos para os textos. Além disso, é essencial mostrar modelos e formas de preparar um produto final em que as descobertas sejam apresentadas. Ao passar por diversas experiências nesse percurso, as crianças adquirem segurança para empregar os conhecimentos em outras situações de coletas de dados, de análise e de estudo (é o caso de provas, preparações para debates ou apresentações, por exemplo). Assim, tornam-se mais autônomas.

Conheça em detalhes as cinco etapas para realizar uma boa pesquisa escolar: fazer uma boa pergunta, indicar fontes seguras, ensinar a interpretar, orientar a produção escrita e finalizar os trabalhos, socializando as aprendizagens. Em cada uma delas, há recomendações específicas para três etapas de ensino - da Educação Infantil ao 2º ano, do 3º ao 5º e do 6º ao 9º -, além de exemplos.
Os erros mais comuns
- Pedir que os alunos procurem tudo sobre um assunto. A turma não aprende com essa atividade e se confunde sem um objetivo claro.

- Trabalhar com pesquisa o tempo todo. É preciso usar a estratégia com critério e mesclá-la a outras, como a boa e velha aula expositiva.

- Passar para o bibliotecário a orientação da pesquisa. Ele pode ajudar na seleção do material, mas o papel de ensinar a buscar dados e interpretá-los é do professor.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/como-ensinar-meio-pesquisa-607943.shtml

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Vygotsky e o conceito de pensamento verbal

Para Vygotsky, é o pensamento verbal que nos ajuda a organizar a realidade em que vivemos.


Por Camila Monroe e Rodrigo Ratier 

Voz do pensamento. Foto: Washington University, St. Louis
Voz do pensamento | Vygotsky com a filha, Gita, em 1932. Ele realizou experimentos com crianças para entender qual a função da união entre a linguagem e o pensamento e sua relação com a evolução
Um dos grandes saltos evolutivos do homem em relação aos outros animais se deu quando ele adquiriu a linguagem, ou seja, quando aprendeu a verbalizar seus pensamentos (leia o trecho de livro na página seguinte). É por meio das palavras que o ser humano pensa. A generalização e a abstração só se dão pela linguagem e com base nelas melhor compreendemos e organizamos o mundo à nossa volta. Um dos maiores estudiosos sobre essa habilidade humana foi o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934), que em meados dos anos 1920 criou o conceito de pensamento verbal (leia um resumo do conceito na última página).

Vygotsky dedicou anos de estudo para compreender as relações entre o pensamento e a linguagem - e esse foi um dos maiores acertos de seu trabalho. Até então, os estudos sobre o tema buscavam dissecar os dois conceitos isoladamente. De acordo com João Batista Martins, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), entender o desenvolvimento humano desmontando as partes que o constituem é errado. "Vygotsky reconhecia a independência dos elementos, mas afirmava que o caminho era compreender como um se comporta em relação ao outro, como eles interagem em suas fases iniciais", explica.

Para compreender essas relações, Vygotsky buscou analisar o desenvolvimento da criança. De acordo com ele, mesmo antes de dominar a linguagem, ela demonstra capacidade de resolver problemas práticos, de utilizar instrumentos e meios para atingir objetivos. É o que o pesquisador chamou de fase pré-verbal do pensamento. Ela é capaz, por exemplo, de dar a volta no sofá para pegar um brinquedo que caiu atrás dele e que não está à vista. Esse conhecimento prático independe da linguagem e é considerado uma inteligência primária, também encontrada em primatas como o macaco-prego, que usa varetas para cutucar árvores à procura de mel e larvas de insetos.

Embora não domine a linguagem como um sistema simbólico, os pequenos também utilizam manifestações verbais. O choro e o riso têm a função de alívio emocional, mas também servem como meio de contato social e de comunicação. É o que Vygotsky chamou de fase pré-intelectual da linguagem. Essas fases podem ser associadas ao período sensório-motor descrito pelo psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), no qual a ação da criança no mundo é feita por meio de sensações e movimentos, sem a mediação de representações simbólicas. "É a fase na qual a criança depende de sentidos como a visão para atuar no mundo e se manifesta exclusivamente por meio de sons e gestos, ligados à inteligência prática", diz Martins.

Por volta dos 2 anos de idade, o percurso do pensamento encontra-se com o da linguagem e o cérebro começa a funcionar de uma nova forma. A fala torna-se intelectual, com função simbólica, generalizante, e o pensamento torna-se verbal, mediado por conceitos relacionados à linguagem.

O significado das palavras une pensamento e linguagem

No livro Vygotsky - Aprendizado e Desenvolvimento, um Processo Sócio-Histórico, Marta Kohl, professora da Universidade de São Paulo (USP), afirma que o significado das palavras tem papel central: é nele que pensamento e linguagem se unem. Para Vygotsky, os significados apresentam dois componentes: o primeiro diz respeito à acepção propriamente dita, capaz de fornecer os conceitos e as formas de organização básicas. Por exemplo, a palavra cachorro: ela denomina um tipo específico de animal do mundo real. Mesmo que as experiências e a compreensão das pessoas sobre determinado elemento sejam distintos, de imediato o conceito de cachorro será adequadamente entendido por qualquer pessoa de um grupo que fale o mesmo idioma.

O segundo componente é o sentido. Mais complexo, é o que a palavra representa para cada pessoa e é composto da vivência individual. Vygotsky pretendeu ir além da dimensão cognitiva e inscreve a criança em seu universo social, relacionando afetividade ao processo de construção dos significados. Desse modo, concluiu que uma pessoa traumatizada com algum episódio em que foi atacada por um cachorro, por exemplo, dará à palavra uma acepção diferente e absolutamente particular - agressão, medo, dor, raiva ou violência, por exemplo.

O sentido também está relacionado ao intercâmbio social (leia a questão de concurso na próxima página). Quando vários membros de um mesmo grupo se relacionam, eles atribuem, com base nessas relações, interpretações diferentes às palavras. É isso o que ocorre na escola. Ao começar a frequentá-la, a criança recebe a intervenção do educador, o que fará com que a transformação do significado se dê não mais apenas pela experiência vivida, mas por definições, ordenações e referências já consolidadas em sua cultura. Assim, ela não vai só aprender que a Lua é diferente de uma lâmpada - em algum momento da vivência com qualquer indivíduo mais velho -, como também acrescerá outros sentidos às palavras, entendendo que a Lua é um satélite, que gira em torno da Terra, que é diferente das estrelas e daí em diante. "Esse é um processo que nunca acaba, que continua ocorrendo até deixarmos de existir", conclui Martins.
Trecho de livro
"A comunicação por meio de movimentos expressivos, observada principalmente entre animais, é mais uma efusão afetiva do que comunicação."
Lev Vygotsky no livro A Construção do Pensamento e da Linguagem

Comentário
O homem ganha o status de animal racional quando passa a dominar a linguagem. Animais se expressam por meio de gestos e sons, o que, para Vygotsky, não é exatamente comunicação, já que não existe a intenção explícita de se comunicar. A linguagem surge pela necessidade do ser humano de se comunicar com o outro para fortalecer o grupo e organizar o trabalho.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/vygotsky-conceito-pensamento-verbal-639053.shtml?page=0

Paulo Freire e o Twitter


 Relendo a Carta de Paulo Freire aos professores , um trecho me chamou muito a atenção e me levou a imaginar que Paulo Freire não hesitaria em recomendar aos professores que tuitassem ao menos "três vezes por semana" ... Vejam:












"Pensando na relação de intimidade entre pensar, ler e escrever e na necessidade que temos de viver intensamente essa relação, sugeriria a quem pretenda rigorosamente experimentá-la que, pelo menos, três vezes por semana, se entregasse à tarefa de escrever algoUma nota sobre uma leitura, um comentário em torno de um acontecimento de que tomou conhecimento pela imprensa, pela televisão, não importa. Uma carta para destinatário inexistente. É interessante datar os pequenos textos e guardá-los e dois ou três meses depois submetê-los a uma avaliação crítica."

Com exceção da carta para destinatário inexistente, que certamente, não caberia em 140 caracteres, o que PF propõe se encaixa perfeitamente na categoria tuíte. Mas, mesmo assim, uma  carta poderia ser postada em pequenos trechos...

Quanto à avaliação crítica desses pequenos textos, creio que ele ficaria exultante com a possibilidade de ela ser amplificada, se dar em tempo real, colaborativamente, em rede. 


O que vocês acham? Viajei?
Como sei que nem todo mundo tem o hábito de ler os comentários, vou inovar aqui e trazer os comentários para o corpo do post... assim, a discussão fica mais visível. Vamos lá com os primeiros que chegaram... depois, incorporo os demais!  
Débora Sebriam disse... 
Olá Sônia, Você não viajou não, é uma boa analogia! Eu embarco na tua nave e digo que podia ser algo além de twitter! Atualizar um blog 3 vezes por semana poderia entrar. Publicar algo nos grupos do facebook e por aí vai :) Débora
Thiago disse...
Muito bom Sônia, como consultor em inovação e tecnologias na educação concordo com a utilização consciente dos meios tecnológicos. A tecnologia é um parque de diversões, além de um campo de aprimoramento e de inovação fantástico que co-criamos. Um abraço Thiago Chaer

Multi, pluri, inter, trans, metadisciplinar: qual o significado de cada um desses conceitos?

"A construção de uma escola democrática passa, necessariamente, pelo rompimento com uma visão "seletiva* e propedêutica**", e uma das formas de empreender essa construção é desenvolver um ensino interdisciplinarUm ensino no qual as atividades de aprendizagem dêem prioridade à capacidade de pensar os problemas reais que afligem a sociedade, problemas esses que não pertencem a uma disciplina específica e que para serem resolvidos precisam dos conhecimentos científicos disciplinares." Vinicius Signoreli 
Mas nem sempre estão claras para o professor essas relações entre as disciplinas.Multi, pluri, inter, trans, metadisciplinar: qual o significado de cada um desses conceitos? 
Vamos lá ... 

Na prática ... 

"Pensando nessa metadisciplinaridade, podemos afirmar que muitos "objetos de estudo" podem ser selecionados por professores e alunos de uma escola. 

Exemplos: a produção e o destino do lixo em uma cidade (na própria escola ou no bairro em que ela se encontra); o controle de epidemias transmitidas por insetos na região em que se situa a escola; a produção e distribuição de energia no país e os problemas que podem levar ao risco de um"apagão". 
Questões amplas como essas podem desencadear um trabalho pedagógico interdisciplinar. As reflexões sobre suas possíveis soluções levam à eleição dos conteúdos disciplinares que precisam ser compreendidos para que as soluções possam ser construídas, tornando então as disciplinas "o meio que dispomos para conhecer uma realidade que é global ou holística".
*Ensino seletivo é aquele voltado à escolha dos melhores. Os que conseguem fazer as provas, os que conseguem aprender sem precisar de ajuda específica, os que já vêm "preparados de casa".
**Ensino propedêutico é aquele organizado com o único objetivo de levar o aluno a um nível mais adiantado. É sempre um ensino preparatório.
.Fonte: http://lousadigital.blogspot.com.br/2013/10/multi-pluri-inter-trans-metadisciplinar.html